Influenciadores alvos de operação contra esquema de jogos de azar ganhavam comissão de 75% e movimentaram até R$ 5 milhões
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Polícia investiga rede de influenciadores em jogos de azar na região de Piracicaba
Alvo de operação nesta sexta-feira (13), a rede de influenciadores digitais suspeita de usar perfis de grande alcance para promover cassinos virtuais não regulamentados recebia comissão de 75% por aposta e pode ter movimentado até R$ 5 milhões no esquema ilegal, segundo a Polícia Civil de Piracicaba (SP).
Delegado do Deic de Piracicaba, Ivan Luis Constâncio afirmou que as empresas que fazem a articulação dos pagamentos aos influenciadores e aos eventuais jogadores ainda não foram identificadas, mas sabe-se que elas movimentaram cerca de R$ 20 bilhões.
"A princípio, temos algo no entorno de R$ 3 [milhões] a R$ 5 milhões para os influenciadores. [...] Os hubs financeiros, as empresas que fazem a articulação dos pagamentos aos influenciadores e aos eventuais jogadores, a priori, a gente consegue ter uma ideia de algo na casa dos R$ 15 [bilhões] a R$ 20 bilhões movimentados por essas empresas financeiras", explicou o investigador.
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Como a investigação ocorre em segredo de Justiça, a Polícia Civil não informou os nomes dos influenciadores investigados e das plataformas ilegais.
Segundo a Polícia Civil, os investigados induziam seguidores ao erro ao ostentar falsos ganhos e grandes quantias em dinheiro vivo, atraindo novos apostadores por meio de links de afiliação.
Os alvos da operação divulgavam um link que direcionava para uma plataforma de apostas ilegal. O acesso oferecia um “ganho pré-programado” para os influenciadores envolvidos, com uma comissão de 75% sobre o valor apostado por quem utilizava o link.
"Inicialmente, a plataforma passava um link com um ganho programado para esses influenciadores, e eles divulgavam para os seus seguidores. Os seguidores usavam esse link para o acesso e eram remetidos a uma plataforma de jogos online. A cada nova jogada desses apostadores, 75% da aposta iam para os influenciadores, como uma forma de comissão", diz.
Ainda conforme a investigação, a rede agia com divisão de tarefas e padronização nos comportamentos ilícitos, e cerca de 2 a 3 milhões de seguidores eram atingidos a cada postagem.
Mudança de patrimônio
As investigações começaram no início de 2026 e, anteriormente, chegou a apreender um carro de luxo avaliado em mais de R$ 200 mil.
Ninguém foi preso pela operação, mas o delegado responsável pela investigação notou que os influenciadores alvos de mandados nesta sexta (13) apresentaram uma mudança no padrão de vida, com ostentação e luxo.
"Você percebe pessoas que não têm nenhum patrimônio, e em poucos meses começaram a ter uma vida de luxo e ostentação como nunca antes", disse o delegado.
Os influenciadores alvos da operação foram intimados para serem interrogados pelos investigadores posteriormente.
Sete carros e duas motos apreendidas
Material apreendido em Operação Tiger III, na região de Piracicaba (SP)
Polícia Civil de Piracicaba
Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em 20 endereços em Piracicaba, Capivari (SP), São Pedro (SP), Americana (SP), Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP), na manhã desta sexta-feira (13).
As ações fazem parte da Operação Tiger III, que busca desarticular uma organização criminosa especializada em jogos de azar on-line, estelionato e lavagem de dinheiro.
Foram apreendidos sete carros, duas motocicletas, dispositivos eletrônicos, joias, semijoias e dinheiro em espécie. O balanço completo não foi concluído até esta publicação.
Segundo a polícia, o material apreendido será analisado para identificar o fluxo financeiro da organização e os beneficiários finais do esquema.
O delegado Ivan Luis Constâncio relatou que nenhuma conta foi suspensa e que os próprios influenciadores, devido à investigação, apagaram os conteúdos de divulgação das casas de aposta ilegais. Não há mandado de prisão expedido contra os alvos da operação.
"A gente está na fase inicial das investigações, construindo um movimento probatório, como materialidade e indício de autoria, para, em um momento posterior, a solicitação das prisões temporárias e preventivas", contou o delegado.
Caminho do dinheiro
O investigador também reforça que a operação estará dedicada a identificar os responsáveis pelas plataformas através do "caminho do dinheiro".
""Essas empresas têm essas bases de dados e seus servidores no exterior. Como é feita essa tramitação financeira? Os apostadores depositam o dinheiro onde? [...] Agora, a gente entra em outra fase, que é a de seguir o caminho do dinheiro para chegar de fato às pessoas que motivam esses jogos de azar", contou o delegado Ivan Luis Constâncio.
Influenciadores alvos de operação contra esquema de jogos de azar ganhavam comissão de 75% e movimentaram até R$ 5 milhões
Divulgação/Polícia Civil de Piracicaba
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